“Eu não preciso falar sobre drogas. Mas eu posso falar sobre drogas! “

 

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Foi num dia 31 de agosto, 2012, que depois de praticamente seis meses de internação na Clínica São Francisco, em Jaci, sem ver ou falar com ninguém da família ou do meu círculo pessoal, longe de tudo e de todos, sai para começar uma nova vida. Lá morreu e foi sepultado um Jayme. E há um ano nasceu um novo homem.

Algumas pessoas acham que eu não deveria tocar tanto nesse assunto. Que o passado deve ser esquecido. Não entendo assim. O comprometimento com a causa me faz mais forte. Não posso esquecer. Preciso lembrar-me constantemente. E através da minha autoajuda, espero também estar ajudando dependentes ou familiares que precisam de palavras.

O ator global Fábio Assunção já disse: “Eu não preciso falar sobre drogas. Mas eu posso falar sobre drogas”. Exatamente. Não é preciso. Mas podemos fazer isso. Por nós e pelos outros.

O também ator da Rede Globo Marcello Antony contou em entrevistas que ao sair da clínica “Eu me senti um bicho acuado, um cachorro morto” e Brad Pitt afirmou que “A abstinência foi tão difícil que eu tinha vontade de matar alguém”.

São pessoas públicas, que assumiram suas experiências e as transmitem para ajudar outros. Por isso não tenho vergonha e nem receio abordar esse assunto. Como cantou Renato Russo “Sei que às vezes uso palavras repetidas, mas quais são as palavras que nunca são ditas?”. A dependência química é uma doença incurável, progressiva e fatal. Mas podemos conviver com ela. Neutralizá-la.

Prevenir a droga ou manter-se afastado dela significa isso. Repetir. Bater no assunto. Rebater no tema. Nunca será demais. A autovigilância é importantíssima. Falar de um assunto não é fazer apologia dele. Calar pode ser.

Por isso digo às pessoas que têm familiares com problemas de dependência química: falem, lutem, tentem mostrar que tem uma saída, que tem uma solução. Mas para isso não cobre. Não se mostre como vítima. Simplesmente mostre que o amor está no ar. Que assim que a pessoa quiser, poderá contar com seu apoio e com seu amor.

Ninguém se conscientiza a se livrar das drogas pela dor. A droga deixa o usuário acostumado a todo tipo de dor física ou emocional. Só procuramos a mudança, pelo amor. Um amor que você, familiar, precisa procurar a forma de mostrar. Só dizer que ama pode não bastar. Cobrir as despesas e problemas que um drogado dá, também pode não ser amor. Passar a mão na cabeça, também não. Simplesmente mostre que você o ama e que sabe que ele pode sair dessa. Que estará sempre apoiando.

Depois, espere… Nenhum tipo de tratamento ou internação dá resultado se o dependente químico não quiser realmente mudar.

Aos dependentes químicos que temem um tratamento, digo apenas que nunca deixem que nenhum limite tire de você a ambição da autosuperação. Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender. Viver ultrapassa qualquer entendimento. E nós podemos ultrapassá-los.

 

José Antonio Jayme – Jornalista e Publicitário – Dependente químico na sobriedade há 18 meses.

 

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