Conheça um pouco sobre doenças do nosso sistema endócrino!

O endocrinologista Dr Felipe Henning Gaia alerta que a maioria das doenças relacionadas a tireoide não são a causa de aumento de peso que tantos justificam, mas que, se não tratadas, podem trazer sérios riscos a saúde e até mesmo, a vida.

Dr Felipe

Existem milhares de pessoas que simplesmente desconhecem a função da glândula tireoide e outros milhares que atribuem a culpa de todo peso extra que tem, a ela ou ao seu mau funcionamento.

As doenças da tireoide que trazem ganho de peso ao paciente, ao contrário do que se pensa, são raríssimas, porém, mesmo as mais comuns caso não sejam descobertas e tratadas, podem piorar muito a qualidade de vida do paciente e trazer prejuízos irrecuperáveis a saúde. Vamos falar das duas mais conhecidas:

Hipotireoidismo

O hipotireoidismo é a doença mais comum da tireoide. Ocorre mais frequentemente em mulheres do que em homens e é mais comum em pessoas de mais idade. Geralmente é detectado quando os níveis de hormônios tireoidianos (T3 e T4) se tornam anormalmente baixos por algum motivo. Como consequência da redução destes hormônios todos os processos metabólicos do corpo se tornam mais lentos.

O hipotireoidismo pode ter vários sintomas, visto que os hormônios da tireoide são importantes para regular o funcionamento de praticamente todos os órgãos e sistemas do corpo. Por isso, os sintomas do hipotireoidismo incluem:

1.Cansaço excessivo;

2.Desânimo ou até mesmo depressão;

3.Raciocínio lento;

4.Sensação de frio excessivo;

5.Ganho de peso (geralmente discreto, em torno de 3 a 5 Kg);

6.Pele seca e cabelos finos e quebradiços;

7.Inchaço nas pernas ou ao redor dos olhos;

8.Intestino preso e digestão lenta;

9.Irregularidade das menstruações (às vezes, sangramento excessivo);

10. Infertilidade;

Causas do hipotireoidismo

Nos adultos, a causa mais comum de hipotireoidismo é um distúrbio chamado Tireoidite de Hashimoto, ou simplesmente doença de Hashimoto. Nessa doença, o sistema de defesa do organismo (sistema imunológico) ataca a glândula tireoide e causando danos comprometendo a sua capacidade de produzir hormônios tireoidianos. Por isso, a doença de Hashimoto faz parte de um grupo de doenças chamadas de doenças autoimunes. O hipotireoidismo pode ser causado também por tratamentos médicos que reduzem a capacidade da tireoide produzir hormônio, como é o caso do uso de um medicamento contra arritmia chamado Amiodarona, ou como consequencia do uso de iodo radioativo (para tratamento de hipertireoidismo, que é o oposto do hipotireoidismo). Hipotireoidismo também pode ocorrer apos cirurgias da glandula tireoide, com retirada parcial ou total da tireoide (para tratamento de outros problemas nessa glândula, como algum tipo de nódulos ou câncer).

Há casos, ainda, em que a tireoide não se desenvolve adequadamente e a criança apresenta deficiência de hormônios tireoidianos desde o nascimento; é o chamado hipotireoidismo congênito, que geralmente é diagnosticado já no berçário através do teste do pezinho.

Consequências do não tratamento do hipotireoidismo

Em adultos, o hipotireoidismo (se não for tratado corretamente) leva a uma significativa redução da sua performance física e mental, além de causar elevação dos níveis de colesterol, que aumentam as chances de algum problema cardíaco. Nos casos que não recebam tratamento, o hipotireoidismo crônico e severo, pode evoluir ao longo do tempo até uma situação dramática e com grande risco de vida, o chamado coma mixedematoso, que se apresenta como redução da temperatura corporal, perda de consciência e mau funcionamento do coração.

Gravidez

A falta de hormônios tireoidianos pode afetar profundamente o desenvolvimento do bebê, provocando retardo mental e atraso do crescimento. No entanto, esses problemas para o bebê são prevenidos pelo tratamento precoce da mãe com a reposição de hormônio tireoidiano.

Diagnóstico e tratamento

E feito através de um simples exame de sangue. Os exames que ajudam no diagnóstico do hipotireoidismo são: a dosagem de TSH e do T4 livre (inicialmente somente o TSH precisa ser realizado como exame de triagem).

O tratamento é feito com a reposição diária do hormônio da tireóide chamado de levotiroxina. Este hormônio é idêntico ao hormônio da tiroeide, de modo que administrado na dose adequada, é improvável de causar qualquer efeito colateral e é bom ressaltar que este hormônio não tem nenhuma relação com os hormônios sexuais femininos, não interferindo na mama, nem vai causar ganho de peso.

 

Hipertireoidismo

Pessoas com hipertireoidismo têm excesso de hormônio tireoidiano porque sua tireoide produz mais hormônios que o normal. Isso faz com que todos os processos do corpo funcionem de forma acelerada.A causa mais comum de hipertireoidismo é a chamada Doença de Graves que recebeu esse nome em homenagem ao médico que a descreveu, Dr. Robert Graves. Essa doença ocorre quando o sistema imunológico começa a produzir anticorpos que atacam a própria glândula tireoide. Esses anticorpos exercem um efeito semelhante ao do hormônio que regula o funcionamento da tireoide, o TSH, e levam ao crescimento e funcionamento exagerado da glândula.

Sintomas:

Tremores nas mãos;

Batimentos cardíacos acelerados (taquicardia);

Suor excessivo

Fraqueza muscular – dificuldade em subir escadas ou levantar coisas pesadas;

Fadiga e cansaço fácil;

Perda de peso importante, mesmo alimentando-se de forma normal; Fome excessiva; Diarreia ou aumento do número de evacuações; Irritabilidade, agitação, ansiedade; Insônia;

Outras causas de hipertireoidismo são:

– nódulos de tireoide produtores de hormônio

– ingestão de hormônio tireoidiano em excesso, para tratamento de hipotireoidismo ou como componente de outras medicações (por exemplo,“fórmulas” para emagrecer).

Tratamento

Vários tipos de tratamento podem ser usados no controle do hipertireoidismo, dependendo da causa em questão. O tratamento pode ser feito com medicamentos antitireoidianos, que agem diminuindo a produção de hormônio pela tireoide. Sendo os mais conhecidos o metimazol (Tapazol) e o propiltiouracil. No caso da doença de Graves, o tratamento pode ser feito com o uso de uma dessas medicações, geralmente por um determinado tempo visando obter a normalização do funcionamento da tireoide. Em outros tipos de hipertireoidismo, os antitireoidianos são comumente usados por alguns meses, até a normalização dos níveis de hormônios tireoidianos (T3 e T4) no sangue e depois o paciente é encaminhado com segurança para outras formas de tratamento (tratamento definitivo). Outro tipos de medicamentos que pode ser usados para o controle dos sintomas do hipertireoidismo são os chamados betabloqueadores, que são drogas que não bloqueiam a produção de hormônios tireoidianos, mas controlam muitas das suas manifestações, como os batimentos cardíacos acelerados e os tremores. Quando os medicamentos não são suficientes para o controle do hipertireoidismo (como no bócio multinodular, nódulos tireoidianos ou na doença de Graves que não é adequadamente controlada apenas com medicação), o paciente é encaminhado para alguma forma de tratamento definitivo. Existem duas formas de tratamento definitivo: a cirurgia(removendo parte ou toda a tireoide) e o iodo radioativo (ou radio iodo).

Procure um endocrinologista e atente para a situação da sua tireoide. Ela pode ser a causa de vários problemas.

 

 

Dr. Felipe Henning Gaia

Doutor em Endocrinologia e Metabolismo pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).

 

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